terça-feira, 7 de junho de 2016

Sir Christopher Lee : Tributo

                                            

                  

 Filho de um coronel britânico da Artilharia Real e de mãe nascida em uma família nobre italiana (Carandini: uma das mais antigas famílias italianas, com origens no Império Romano e parentesco com o Imperador Carlos Magno).  Seus pais se separaram poucos anos depois e  sua mãe acabou em um novo casamento desastroso.  Eles passaram por dificuldades e o jovem deve que abandonar os estudos um ano antes de se formar, para ajudar a sustentar a família. Durante a Segunda Grande Guerra, foi treinado como piloto de bombardeio da Força Aérea Britânica (R.A.F.) e baseado na Rodésia (África do Sul). 



Sua fluência em diversas línguas o levou para o Serviço de Operações Especiais, aonde atuou como Oficial da Inteligência e depois da guerra como agente caçador de criminosos nazistas.  Ao retornar a vida civil, decidiu pela carreira artística - havia tomado gosto pelo teatro na escola.                                                                         

Conheceu pessoalmente M.R.James; J.R.R.Tolkien, e foi amigo pessoal de Dennis Wheatley (escritor britânico especialista em suspense e ocultismo). Parente de Ian Fleming, autor das aventuras do agente James Bond-007.
Ator poliglota e internacional com mais de 250 filmes em quase 70 anos de carreira. Mas também cantor de ópera (elogiada voz de barítono), golfista experiente, escritor, intérprete de álbuns de Heavy metal, produtor...                       

Um homem conhecido pelas gerações atuais como o Saruman dos épicos de fantasia “Senhor dos Anéis” (trilogia) e “O Hobbitt” de Petter Jackson, ou o Conde Dooku da saga “Star Wars”.                                                                               

                                             
                                                                                                 Para seus fãs mais antigos, ele foi um dos célebres inimigos de 007- o assassino Scaramanga; um convincente Rochefort na trilogia “Os 3 Mosqueteiros” de Richard Lester, além de : Fu Manchu, Rasputin, Mycroft Holmes, Sherlock Holmes, Henry Baskerville, Múmia- viva, pirata, oficial nazista, líder da resistência, Jekyll/Hyde, Fantasma sádico, cientista louco, sábio, feiticeiro, mago, a criatura de Frankenstein...e o mais celebrado Conde Drácula das telas (sorry Bela!).                                                                  
                                                                                                                                                 
                                                                                                                                       





"Se você está interpretando um personagem heroico, é muito difícil não fazer dele um chato total. Mas, com um personagem vilão, há muitos, muitos níveis em que você pode apresentá-lo. Ele pode ser divertido. Ele pode ser solitário. Ele pode ser louco, infantil, ingênuo, futurista. Você não pode viver heróis como isso. É impossível. Você simplesmente não pode imbuir-los com todas essas características. Mas, quando você brincar com o lado escuro da alma, a imaginação vem para o primeiro plano. Você pode apreciá-lo mais e, portanto, comunicar essa alegria para o público."




                                                        



"Com todos esses personagens, eu sempre tento olhar para um elemento particular comum a todos eles, que é uma espécie de tristeza. No caso da criatura de Frankenstein, ela não pediu para ser criada, ainda mais como um ser patético. No caso de Drácula, é a maldição da imortalidade, além de forças que o controlam e que ele não pode controlar. A Múmia sofre a tristeza de ser trazida de volta a vida séculos depois e sem a princesa que amou..."

Entrevista para John Beifuss (The Commercial Appeal, 2000)




Um homem sempre lembrado por ter vivido o imortal Drácula da Hammer Films e por ter sido para o horror britânico, o que Karloff e Lugosi foram para o cinema Gótico americano.










Um homem que foi adorado por muitos (seus colegas Peter Cushing, Oliver Reed ...), mas que foi visto como pomposo e arrogante por tantos outros. Que continuamente preferia a quantidade de filmes que fazia em detrimento da qualidade, e que negou diversos papéis icônicos em favor de pequenas pontas em produções baratas e descuidadas. Um ator que nunca conseguiu o “Super Status” que perseguiu durante os anos, mas que foi progressivamente adquirindo uma legião de fãs ardorosos e um sucesso Cult, que ele sempre se esforçou em negar. Um astro em conflito com a natureza de seu sucesso, um dos mais reconhecidos “vilões” das telas, e sinônimo de “Filme de Horror”...e que sempre detestou a “palavra começada com H”, como dizia, e sempre procurou se afastar do gênero e negar sua importância.                          



Christopher Frank Carandini Lee – Nascido em 27 de Maio de 1922; morto em 7 de Junho de 2015, com 93 anos. Um homem de contrastes e contradições e que foi, em conseqüência... Um Monstro muito Britânico!

(Denis Meikle, autor de “A History of Horrors : The Rise and the Fall of the House of Hammer”).                                           
                      

                                                                     by Cayman Moreira

                                                                                         “Como via de regra, os homens da minha família com a idade de 35 anos já haviam se tornado coronéis, cardeais, embaixadores ou empresários. Eu acabei mudando isto e entrei para a carreira artística sem nenhuma regalia ou facilidade natural. Eu cansei de ouvir alguém dizer : “Não podemos colocá-lo em qualquer filme, porquê você é um desconhecido, você não tem um nome, você não tem experiência, e você é muito alto e tem um visual muito “estranho” para ser um ator."



"Poderia ser mais uma indignidade, ou talvez um grande passo, quando o meu agente John Redway me informou que a produtora Hammer estava fazendo uma refilmagem à cores de “Frankenstein”, e que eu poderia fazer o papel da criatura – talvez por eu ser afinal, muito alto e com aparência diferente. Para mim era evidente que não seria um passo para a glória, mas eu havia visto Karloff na versão de 1931, e era obvio que tecnicamente foi uma tremenda mudança para ele. Talvez minha visão do glamour do cinema já estivesse totalmente “blown”"...

"Drácula é que fez a diferença. Ele me trouxe um nome, um fã-clube e um carro de segunda mão, por tudo isto eu tenho que lhe ser grato".



                                                                               Arte Jose Antonio Mendez                                                                                                                                                                                    



"Não me incomoda de ser lembrado como Drácula. Por que deveria? O que me incomoda é quando as pessoas dizem: "Ah, sim, lá se vai Drácula", ou "Lá vem o rei  do horror."Isto simplesmente não é verdade. Fico muito irritado quando as pessoas não reconhecem que tenho feito outras coisas."




Lee em “Tall, Dark and Gruesome – An Autobiography” (1977)


"Tal é o poder da tela que as pessoas às vezes confundem a sua imagem pública com o particular. Quando encontro pessoas socialmente, sou ocasionalmente recebido com reações do tipo "Você quer dizer que lê livros? Você gosta de música? Você joga golfe?" É muito estranho. As pessoas esperam que eu me comporte fora da tela como eu faço diante. Claro, elas não esperam encontrar-me matando pessoas em todas as direções, mas, por exemplo, uma reação típica  é: "Eu não acredito nisso! Você é um ator! Você não deveria cantar!"                                                         

“Eu não gosto do termo Horror. Tão limitado. Fantasia, eu acho é uma palavra melhor. Ela engloba tudo: terror, mistério, thrillers, o sobrenatural...”

Lee em entrevista para Bill Kelley, (Fangoria Magazine, 1983)





Apesar de não gostar de destacar muito seus anos de Hammer, Chris Lee nunca negou a importância do estúdio em sua carreira, e em entrevista para Denis Meikle (Dark Side Magazine ), ele fala com entusiasmo (britânico) destes dias:

“Eu costumava jogar golf com Jim (Carreras), e às vezes eu costumava ir a sua casa em Sussex. O Maquiador Roy Ashton era um ex-cantor de óperas e costumávamos cantar juntos, mesmo quando eu estava sendo maquiado. Eu também era muito amigo de Tony Keyes, tínhamos o mesmo amor pelo golf... Nos dávamos muito, muito bem. A equipe técnica e o elenco quase sempre se conheciam, éramos uma família muito feliz. Foi provavelmente a melhor época da minha carreira, em termos de trabalhos que fiz, pelas pessoas que trabalhei com (e para), e pela atmosfera que circulava em todo o estúdio.”






As atrizes, Scream Queens e “Hammer Girls” Virginia Wetherrell (Curse of the Crimson Altar, Dr.Jekyll & Sister Hyde...) e Veronica Carlson (Dracula Has Rise from the Grave, Frankenstein Must Be Destroyed...) falam sobre Christopher Lee:




Virginia Wetherell- “Eu acho que ele foi provavelmente a pessoa mais sem humor que eu conheci em toda a minha vida. Ralph Bates, meu marido, era um piadista, Chris Lee definitivamente não. Entretanto, alguém  como Boris Karloff,  era absolutamente maravilhoso, cavalheiro e cortês. Bem, talvez Lee fosse divertido com Peter Cushing."



Veronica Carlson- “Sim, era justamente isto que acontecia entre os dois. Eles tinham uma grande camaradagem e faziam piadas um com o outro e mantinham isto no set. Eles eram muito, muito profissionais. Mas, diferente de Virginia – talvez porque eu era tão novata e inexperiente, e (Dracula Has Rise...) fosse meu primeiro filme- Chris Lee me ajudou muito. Ele foi maravilhoso. Ele chegou a sugerir para Freddie (Francis, diretor), diálogos para mim e ele fez. Eu achei isto imensamente encorajador. Eu acho que se eu talvez tivesse mais experiência, ele não teria me ajudado.”

(entrevista dupla para Susan Svehla – Fangoria Magazine # 318)



Arte by Woody Welch


"Tento descrever a atuação como uma combinação dos três D's e os três eus. Disciplina, dedicação, devoção. Imaginação, instinto, inteligência. Mesmo que meus filmes não possam agradar a todos, eu gostaria que as pessoas percebessem que eu sempre dou em cada filme o melhor de mim. Eu gostaria de pensar que eu mostrei a integridade e dedicação em cada um dos meus papéis. Eu sempre tento  fazer o meu melhor e, você sabe, eu realmente amo o que faço."